sábado, 3 de agosto de 2013

Síntese dos textos “Estranhando a Educação” e “Um aprendizado pelas diferenças”

Por Filipe França

Os textos foram escritos pelo Prof. Richard Miskolci. Ele é doutor em Sociologia e atualmente é professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de São Carlos.

O autor inicia o primeiro texto falando que no Brasil, um dos primeiros textos em português falando sobre o termo queer, foi publicado no ano de 2001. É o texto “Teoria Queer: uma política pós-identitária para a educação”, de autoria da Prof.ª Guacira Lopes Louro. A acolhida da Teoria Queer por parte da Educação foi algo extremamente positivo, pois, ampliou o interesse por temas como sexualidade, normalização e controle social. Essa acolhida brasileira da Teoria Queer na área da Educação pode estar ligada a uma compreensível sensibilidade crítica de noss@s professor@s com relação às forças sociais que impõem, desde muito cedo, modelos de comportamento e padrões de identidade aos estudantes.

O autor levanta a seguinte questão: como incorporar o queer na Educação? Ele aponta que a proposta queer começa por fazer um diálogo com aquel@s que normalmente são desqualificados do processo educacional e também do resto da experiência de vida na sociedade. Hoje em dia, o caráter violento de socialização escolar recebeu o nome de bullying. Um olhar queer é um olhar insubordinado. É uma perspectiva comprometida com os sem poder, dominados e subalternizados.

Miskolci nos convida a pensar nas distinções arquitetônicas presentes nos banheiros masculinos e femininos. Essas distinções nos obrigam a descobrir a toda a hora o nosso gênero e a nossa sexualidade. Assim como a escola, o banheiro público é uma tecnologia que precisa ser repensada.

O autor menciona o termo abjeção, destacando que esse termo costuma lidar com o que há de mais íntimo em nós, daí ser compreensível que ela passe muito pela sexualidade. A abjeção se refere ao espaço a que a coletividade costuma relegar àquel@s que considera uma ameaça ao seu bom funcionamento, à ordem social e política. A heteronormatividade também é problematizada no texto, pois, ela é a ordem sexual do presente fundada sobretudo no modelo heterossexual, familiar e reprodutivo.

Miskolci também traz para a discussão as distinções entre os termos diversidade e diferença. Para o autor, a diversidade expressa uma concepção estática de cultura. Já a diferença, afirma a necessidade de ir além da tolerância e da inclusão, reconhecendo o Outro como parte de nós.

O segunda texto é iniciado destacando o grande desafio da Educação repensar o que é educar, como educar e para que educar. Para o autor é fundamental a compreensão da Educação para muito além da escola. Isso pressupõe identificar e desconstruir os pressupostos de neutralidade sob os quais se assentaram durante tanto tempo o processo educativo e o espaço escolar. O olhar d@s professor@s precisa enxergar as interações que acontecem fora dos muros do espaço escolar.

Estranhar os materiais de trabalho na escola também consiste em uma atitude queer. Podemos nos apoderar desses materiais como base para refletirmos e questionarmos o que vem estampado nas páginas dos livros, como por exemplo, o que vem impresso em um livro de alfabetização.

Miskolci destaca dois aspectos interessantes quando falamos em uma Educação queer. Primeiro, a superação da visão de sexualidade como algo biológico, apenas enquanto oportunidade de falar de DSTs e gravidez na adolescência. Segundo, superar o pensamento da educação sexual como maneira de ensinar com quem e como se relacionar sexualmente. Precisamos assumir o desafio de visualizar a sexualidade como algo cultural e que se relaciona com outros aspectos da nossa vida em sociedade.

A leitura dos textos nos conduz a pensar em uma Educação não normativa que vai além de compreender que existem famílias com dois pais ou com duas mães. Podemos questionar se realmente tod@s se casarão e/ou constituirão famílias, se o casamento é necessário para formar uma família, se o casamento é obrigatório, se viver sozinho é proibido, se as famílias fora do casamento são menos família...

O autor finaliza o texto enfatizando que @s professor@s podem se inspirar nas dissidências, resistências e no estranhamento para produzir o próprio educar. Ir além de reproduzir e ensinar a experiência da abjeção, em que o processo de construção do conhecimento pode ser um espaço de ressignificação do Outro e das diferenças.

Referências:

MISKOLCI, Richard. Estranhando a Educação. In: _____. Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autêntica: UFOP, 2012, p. 35-49.

MISKOLCI, Richard. Um aprendizado pelas diferenças. In: _____. Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autêntica: UFOP, 2012, p. 51-63.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Síntese do texto "A construção escolar das diferenças"

Por: Carolina Gasparete, Luciana Esteves e Marcela Galvão

Guacira Lopes começa seu texto “A construção escolar das diferenças” discutindo um dos pontos principais: a escola produz as diferenças, desigualdades e distinções. A escola faz isso através de mecanismos de classificação, ordenamento e hierarquização.
A escola inicialmente era concebida para acolher somente algumas pessoas, e com o tempo foi sendo requisitada por aqueles aos quais havia sido negada, e estes foram trazendo transformações à instituição. A autora toma como ponto de partida pensarmos como a escola produz essas diferenças e que efeitos elas têm sobre os sujeitos.
A escola além de produzir as diferenças, ela também delimita espaços e o que cada um pode ou não pode fazer. Dentro de uma escola é preciso que os sentidos estejam afiados para que possamos ser capazes de ver, ouvir, sentir as múltiplas formas de constituição dos sujeitos implicadas na concepção, na organização e no dia a dia da escola. O olhar de cada um é diferente, e o modo como o espaço é concebido por todos também.
Guacira Lopes vai expor em seu texto que tempo e espaço foram aprendidos e interiorizados com o tempo, e assim eles se tonam naturais, o que nos impede de olhar e notar que cada um se agrupa de forma diferente. As divisões de raça, classe, etnia, sexualidade e gênero são explicadas pela história.
Na escola todos os sentidos são treinados. Se aprende a olhar e a se olhar, se aprende a ouvir, a falar e a calar, se aprende a preferir, e todas essas lições são atravessadas pelas diferenças, elas confirmam e também produzem as diferenças. Os sujeitos se envolvem e são envolvidos nessa aprendizagem. A escola também produz corpos escolarizados e distinguem estes corpos.
O processo de “fabricação” dos sujeitos é continuado e geralmente tão sutil, que se torna quase imperceptível. Nosso olhar deve então se voltar para as práticas do cotidiano, onde se pode perceber. A tarefa mais urgente é: desconfiar do que é tomado como “natural”. Também é importante ficarmos atentos as nossas próprias falas, e sermos capazes de um olhar mais aberto, de uma problematização mais ampla (que consiga lidar com as múltiplas combinações de gênero, sexualidade, classe, raça, etnia).
A linguagem é a forma mais eficaz onde se pode observar a instituição das distinções e das desigualdades. No entanto, a linguagem além de expressar relações, poderes, lugares, ela os institui: não apenas veicula, mas produz, pretende fixar as diferenças e demarca lugares dos gêneros. O “silenciar” algumas coisas é uma espécie de garantia da “norma”.
A ideia de que as mulheres são, fisicamente, menos capazes do que os homens possivelmente ainda é aceita. Concepções como essa vêm impedindo que seja proposta às meninas a realização de jogos ou atividades físicas tidos como masculinos, o que se consagra a ideia que o feminino é um desvio construído a partir do masculino. Além disso, todos que não se enquadrem dentro da lógica dos universos feminino e masculino como sendo opostos, ou não são percebidos ou são trados como problemas e desvios.
A autora trás também para seu texto que o contato com o outro na escola, tanto pode abalar e reduzir o sentido da diferença como pode, ao contrário, fortalecer as distinções e os limites. Temos que saber claramente os conceitos de gênero e sexualidade, sem nos prendermos ao senso comum. A sexualidade está na escola porque ela faz parte dos sujeitos, ela não é algo que possa ser desligado. Todas as formas de sexualidade são construídas e legítimas, mas não há dúvidas de que o que é proposto pela escola é a constituição de sujeitos masculinos e femininos heterossexuais. 
É preciso mais do que tudo descontruir o que se aprende sobre a homossexualidade, desconstruir a ideia da homossexualidade como desvio, patologia e formas não-naturais e ilegais de sexualidade. Precisamos não só ter um olhar diferente dentro da escola, como também tentar interferir na continuidade dessas desigualdades, e para isso é necessário reconhecer as formas de instituição das desigualdades sociais.

sábado, 13 de julho de 2013

Síntese do texto: "Heteronormatividade e homofobia"

Por:  Andressa  Mileto e Márcio Luiz Domingues

O texto Heteronormatividade e Homofobia,  cuja autora é a pesquisadora Guacira Lopes Louro, faz parte do livro Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre homofobia nas escolas, de autoria de Rogério D. Junqueira e orgs,  e  trata da origem  da heternonormatividade  e homofobia, dentro de um contexto histórico e cultural, trazendo até nossos dias a conseqüência destas mudanças de valores sobre a sexualidade  humana e suas conseqüências sobre os indivíduos.
A autora inicia seu texto, problematizando uma pergunta de Michel Foucault em um prefácio que Foulcault escreveu em um livro de memória, publicado no século XX,  referente a  um hermafrodita que viveu em meados do século XIX na Europa. Foucault pergunta se “Precisamos verdadeiramente de um verdadeiro sexo?”.  Pergunta a qual, ele mesmo responde que “Com uma constância que chega às raias da teimosia, as sociedades Ocidentais responderam afirmativamente a esta pergunta”. Colocando  essas expressões sublinhadas por Foucault sob suspeita, “verdadeiramente” e “verdadeiro”, que segundo a autora, poderia ter sido intenção de Foucault, a partir daí, Guacira Louro desenvolve a questão de que, as verdades aparecem quando devem aparecer e que existem um conjunto de circunstâncias que permitem a algo ser ou não verdade, e que estão ordenadas por relações de poder. Neste caso, os saberes ou “enunciados” verdadeiros, com os quais lidamos diariamente, devem ser analisados de acordo com as estratégias de poder que os sustentam.
  Dentro de uma perspectiva foulcaultiana, foi mais precisamente nos meados do século XIX, que se passou a se prestar mais atenção à sexualidade, mas esse processo começou a se desenrolar desde o século XVIII, com as transformações políticas e econômicas, construindo um novo conjunto de condições para os corpos e para a sexualidade. Até meados do século XIX, havia uma concepção da existência  de um único sexo, e que os corpos de homens e mulheres se diferenciavam em graus de “verdade”, onde as mulheres,  traziam  dentro dos seus corpos, os mesmos órgãos que os homens apresentavam exteriormente. A substituição deste modelo de um único sexo para o que temos atualmente, não foi nada fácil. No final do século XIX, diversos “especialistas” de países desenvolvidos europeus, e a partir de linguagens absolutamente masculinas, deram novas definições sobre os corpos dos homens e das mulheres, o que colocou estas últimas, como portadoras de uma sexualidade ambígua, escorregadia e potencialmente perigosa, nascendo a sexologia. A partir daí, discursos impregnados de autoridade da ciência, tinham estatuto de verdade, combinando com outros, como os da Igreja, da moral, da lei, dentre outros.
  Neste contexto, surgem o homossexual e a homossexualidade, práticas estas que sem preexistiram em diversas culturas, mas passam a ter agora, outra conotação. Práticas que  eram compreendidas como deslizes momentâneos, agora passam a revelar a verdade oculta do sujeito, passando o homossexual a constituir um sujeito de outra espécie, o que vai levar a uma seqüência de ações que envolvem práticas punitivas, recuperadoras, de ordem jurídica, religiosa, educativa, dentre outras. Nomeados homossexual e homossexualidade  - sujeito e prática desviantes – tornou-se necessário estabelecer o par oposto, ou seja, o heterossexual e a heterossexualidade, que forma a oposição decisiva e definidora de práticas do sujeito.Esta oposição presente na sociedade passa a marcar saberes, instituições, práticas e valores, sendo marco de referência para construção do sujeito. Em uma perspectiva pos estruturalista, procura-se perturbar a aparente solidez deste par binário, onde se propõe que estes elementos dependem um do outro. A heterossexualidade só ganha sentido, na medida em que se inventa a homossexualidade, dependendo desta para existir, e vice-versa.
  Para garantir o privilégio da heterossexualidade e seu status de normalidade e naturalidade, múltiplas estratégias são adotadas em todos os setores sociais, reafirmando que seres humanos nascem machos e fêmeas e que este sexo de nascimento vai indicar um gênero correspondente, masculino ou feminino e por fim, conduzirá a uma única forma desejo ao sexo/gênero oposto. Este alinhamento entre sexo/gênero/sexualidade, dá sustentação ao processo de heteronormatividade, que se refere à produção e reiteração compulsória da heterossexualidade, supondo que todas as pessoas sejam ou devam ser heterossexuais, o que lhes permite usufruir plenamente dos sistemas e serviços e receber benefícios do Estado. E os que fogem à norma, devem ser reeducados, reformados ou relegados a segundo plano, quando não totalmente excluídos.
  As intercessões entre heterossexualidade e gênero são profundamente articuladas, e este processo de heteronormatividade é muito mais intenso em relação ao gênero masculino, pois os meninos desde a mais tenra infância são alvos de atenção na construção de uma sexualidade heterossexual, sendo submetidos a um processo de masculinização, onde qualquer  traço de práticas do gênero feminino , deve ser apagado e essa negação, se expressa muitas vezes em uma repulsa de marcas do universo feminino. Este processo de heteronormatividade aparece nesse caso, freqüentemente associado à homofobia. Dentro de uma premissa, onde sexo/gênero/sexualidade sustenta-se dentro de uma lógica que supõe sexo como “natural”, entendendo-se natural como “dado”, na medida de que se considera natureza com heterossexualidade, isto é, com o desejo pelo sexo/gênero oposto, pensa-se em considerá-la como forma compulsória de sexualidade, o que faz com que os sujeitos que escapam à norma, sejam deslocados para a margem da preocupação das escolas, da justiça, e da sociedade em geral. Porém, são necessários para construir os contornos daqueles ditos “normais” e que a idéia de multiplicidade, foge à lógica que rege essa questão.
  Por fim, a autora finaliza dizendo que o que foi colocado no final do parágrafo anterior, se inscreve um importante limite epistemológico, questionando onde ficam os sujeitos que não ocupam nenhum dos dois lados dessa polaridade, como os  bissexuais, os transgêneros, os travestis e as drags. Os conhecimentos científicos dominantes, não dão conta da ambigüidade e do atravessamento das fronteiras de gênero e sexualidade e a lógica binária, não permite pensar o que escapa ao dualismo. Neste sentido, parece sugestivo que se problematize o estatuto de “verdade” da dicotomia heterossexualidade/homossexualidade como a categoria explicativa da sociedade contemporânea.

Fonte: JUNQUEIRA, Rogério D.(org). Diversidade sexual na educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas. Brasília: MEC/SECAD/UNESCO.
Disponível em: portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000015502.pdf

domingo, 7 de julho de 2013

"Poderosa demais"? A Lei Maria da Penha não se aplica a todas as mulheres?

Texto interessante da professora Débora Diniz sobre a polêmica envolvendo a sentença do juiz que julgou a denúncia de violência sofrida por Luana Piovani.

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,poderosa-demais,1050876,0.htm




domingo, 30 de junho de 2013

ONU contra a homofobia


Assistam!

Síntese do texto "Origens históricas da teoria queer"


Por: Lilian Dalamura, Mariana Gotti e Sabrina Simeão.

     O primeiro capítulo do livro “Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças” o autor Richard Miskolci relata sobre o queer é um novo movimento político e teórico que emergiu do impulso crítico a “ordem sexual”, na década 1960 são conhecidos também como “novos movimentos sociais”. Assim como os demais movimentos sociais operários, feministas,  homossexuais, entre outros.
     De acordo com Miskolci (2012), na perspectiva da  política o queer surgiu no espírito iconoclasta de alguns movimentos sociais pela luta de separar a sexualidade da reprodução, apontando a essência do prazer. Ainda o queer pode representar a desconstrução das normas exigidas pela sociedade argumentam sobre a sexualidade, gênero e cultura. A teoria queer se expandiu no meio das obras acadêmicas em diversos países como no Brasil, França e Estados Unidos. Vale a pena ressaltarmos alguns pressupostos teóricos na teoria queer como: Guy Hocquenghem O desejo sexual; Gayle Rubin Pensando sobre Sexo; Néstor Perlongher O negócio do michê  e O que é AIDS ?
     A política e a teoria queer desdobrou na segunda metade da década de 80 nos Estados Unidos, quando surgiu a epidemia da AIDS uma polêmica sexual na história e a área da saúde. Esta epidemia é tanto um fato biológico como social. A AIDS é conhecida como DST, mais tarde surgiu o vírus da hepatite B, uma doença viral se tornou-se uma espécie de castigo ou punição para aqueles desobedientes, malcomportados, irreverentes, ou que ousam perturbar paradigmas consagrados da ordem sexual tradicional.
     Segundo Miskolci (2012), a Queer Nation é proveniente “ [...] da palavra queer, a nação anormal, a nação esquisita, a nação bicha” (p. 24). Vale a pena ressaltarmos que queer é um xingamento, é um palavrão em inglês, sim uma injúria. Queer Nation era uma parte da nação rejeitada pela sociedade e considerada abjeta que significa nojo e desprezo, “medo de contaminação”. Portanto, surge o queer uma resistência ao novo momento biopolítico surgido pela AIDS. 
     Há uma problematização da teoria queer  que não é igual ao homossexualidade, porém da adjeta uma minoria que são considerados uma ameaça para a sociedade, bom comportamento à ordem social e  política.  O movimento queer critica a emergente “heteronormatividade”, ou seja, gays e lésbicas podem ser aceitos pela sociedade, mas  a favor “aqueles” e “aquelas”, anormais e excluídos,  ainda são menosprezados e rejeitados por não se moldurarem  suas vidas amorosas e sexuais no modelo “heterorreprodutivo”.
     De acordo com Miskolci (2012), outro fator que o movimento queer irá contrapor  é: “ [...] com as convenções culturais, com as obrigações que nos são impostas em termos de comportamento.” (p. 26).  O queer é considerado um espírito político queer da mera luta pró-homossexualidade, para a filósofa Judith Butler “o queer é uma nova política de gênero” (p.27 ).
     Foucault é o principal responsável pela mudança na sociedade que apresenta diversas reflexões da “concepção do poder.” No final da década de 80 surgiu uma nova política de gênero que baseou das ideias de Foucault aponta que a cultura e suas normas criam sujeitos. Esse novo movimento que enfatiza nas práticas das identidades, problematiza a cultura dominante, suas normas e os arranjos sociais.
     A partir dos anos de 1980, os estudos queer passam por uma modificação, especialmente com o lançamento dos três principais livros embasados nesta teoria,  são eles: Problemas de gênero de Judith Butler; Cem anos de homossexualidade de David M. Halperin e o fundador da Teoria Querr, A epistemologia do armário, de Eve Kosofsky,  no qual estes livros questionam a heterossexualidade como sendo um produto de uma construção social, assim como a homossexualidade, enfatizando que o ser humano “ [...] não possui um número limitado de desejo” (p.31).
     Esta teoria tem seus embasamentos em estudos feministas, se diferenciando dos estudos gays pelo fato do primeiro possuir uma visão crítica sobre as normas impostas pela sociedade a respeito do gênero e da sexualidade, no qual a sociedade possui uma grande necessidade  a todo tempo nomear e rotular os sujeitos, esta teoria tem um duplo efeito: ela completa “[...] os estudos gays e lésbicos com uma perspectiva feminista que lida com o conceito de gênero, e também sofistica o feminismo” (p.31).
     E os estudos gays em sua maioria priorizam um padrão de gay que a sociedade considera como “normal” que adotam uma postura masculina, geralmente da classe média, branco e que a sociedade considera como padrão, deixando a margem os excluídos que rompem com as normas de gênero.
     Nota-se que a escola funciona como um local onde aprendemos as formas de ser e agir esperadas pela sociedade, e esta vê o desejo e a sexualidade como uma ameaça constante para isso muitos passam a adotar padrões heterossexuais para não serem vítimas de preconceitos.
     Deste modo a teoria queer busca estudar estas pessoas excluídas socialmente, que sofrem violências e insultos e que a sociedade incentiva o conformismo e a repressão destas pessoas lidarem com o desejo de forma “comportada”.
      Essas violências são vistas como uma “expressão do heterossexismo da forma como somos socializados dentro de um regime de “terrorismo cultural” (p.33). Esse nome busca ressaltar a maneira como socialmente os gays adotam este heterossexismo, fazendo do medo da violência a forma mais eficiente de imposição da heterossexualidade compulsória.

REFERÊNCIA
MISKOLCI, Richard. Origens históricas da Teoria Queer. In: Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autêntica: UFOP, 2012.

Sobre os Estudos Queer e a Educação

Para maior aprofundamento das relações entre as teorizações queer e a educação, leiam os seguintes textos:


Os Estudos Queer e a educação no Brasil: articulações, tensões, resistências.

Disponível em: http://www.contemporanea.ufscar.br/index.php/contemporanea/article/view/87



Teoria Queer: uma política pós-identitária para a educação

Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ref/v9n2/8639.pdf



A educação enquanto prática transgressora: pressupostos e possibilidades da teoria queer

Disponível em: http://www.ufscar.br/~pedagogia/novo/files/tcc/tcc_turma_2005/260924.pdf



A teoria queer e a questão das diferenças: por uma analítica da normalização

Disponível em: http://xa.yimg.com/kq/groups/24805135/427522231/name/prog03_01.pdf




Quatro intervenções para uma pedagogia queer

Disponível em: http://www.anped.org.br/reunioes/31ra/1trabalho/GT23-4614--Int.pdf




Gênero, sexualidade e educação: notas para uma "epistemologia"

Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-40602009000300004&script=sci_arttext