Por: Lilian Dalamura, Mariana Gotti e Sabrina Simeão.
O primeiro capítulo do livro “Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças” o autor Richard Miskolci relata sobre o queer é um novo movimento político e teórico que emergiu do impulso crítico a “ordem sexual”, na década 1960 são conhecidos também como “novos movimentos sociais”. Assim como os demais movimentos sociais operários, feministas, homossexuais, entre outros.
De acordo com Miskolci (2012), na perspectiva da política o queer surgiu no espírito iconoclasta de alguns movimentos sociais pela luta de separar a sexualidade da reprodução, apontando a essência do prazer. Ainda o queer pode representar a desconstrução das normas exigidas pela sociedade argumentam sobre a sexualidade, gênero e cultura. A teoria queer se expandiu no meio das obras acadêmicas em diversos países como no Brasil, França e Estados Unidos. Vale a pena ressaltarmos alguns pressupostos teóricos na teoria queer como: Guy Hocquenghem O desejo sexual; Gayle Rubin Pensando sobre Sexo; Néstor Perlongher O negócio do michê e O que é AIDS ?
A política e a teoria queer desdobrou na segunda metade da década de 80 nos Estados Unidos, quando surgiu a epidemia da AIDS uma polêmica sexual na história e a área da saúde. Esta epidemia é tanto um fato biológico como social. A AIDS é conhecida como DST, mais tarde surgiu o vírus da hepatite B, uma doença viral se tornou-se uma espécie de castigo ou punição para aqueles desobedientes, malcomportados, irreverentes, ou que ousam perturbar paradigmas consagrados da ordem sexual tradicional.
Segundo Miskolci (2012), a Queer Nation é proveniente “ [...] da palavra queer, a nação anormal, a nação esquisita, a nação bicha” (p. 24). Vale a pena ressaltarmos que queer é um xingamento, é um palavrão em inglês, sim uma injúria. Queer Nation era uma parte da nação rejeitada pela sociedade e considerada abjeta que significa nojo e desprezo, “medo de contaminação”. Portanto, surge o queer uma resistência ao novo momento biopolítico surgido pela AIDS.
Há uma problematização da teoria queer que não é igual ao homossexualidade, porém da adjeta uma minoria que são considerados uma ameaça para a sociedade, bom comportamento à ordem social e política. O movimento queer critica a emergente “heteronormatividade”, ou seja, gays e lésbicas podem ser aceitos pela sociedade, mas a favor “aqueles” e “aquelas”, anormais e excluídos, ainda são menosprezados e rejeitados por não se moldurarem suas vidas amorosas e sexuais no modelo “heterorreprodutivo”.
De acordo com Miskolci (2012), outro fator que o movimento queer irá contrapor é: “ [...] com as convenções culturais, com as obrigações que nos são impostas em termos de comportamento.” (p. 26). O queer é considerado um espírito político queer da mera luta pró-homossexualidade, para a filósofa Judith Butler “o queer é uma nova política de gênero” (p.27 ).
Foucault é o principal responsável pela mudança na sociedade que apresenta diversas reflexões da “concepção do poder.” No final da década de 80 surgiu uma nova política de gênero que baseou das ideias de Foucault aponta que a cultura e suas normas criam sujeitos. Esse novo movimento que enfatiza nas práticas das identidades, problematiza a cultura dominante, suas normas e os arranjos sociais.
A partir dos anos de 1980, os estudos queer passam por uma modificação, especialmente com o lançamento dos três principais livros embasados nesta teoria, são eles: Problemas de gênero de Judith Butler; Cem anos de homossexualidade de David M. Halperin e o fundador da Teoria Querr, A epistemologia do armário, de Eve Kosofsky, no qual estes livros questionam a heterossexualidade como sendo um produto de uma construção social, assim como a homossexualidade, enfatizando que o ser humano “ [...] não possui um número limitado de desejo” (p.31).
Esta teoria tem seus embasamentos em estudos feministas, se diferenciando dos estudos gays pelo fato do primeiro possuir uma visão crítica sobre as normas impostas pela sociedade a respeito do gênero e da sexualidade, no qual a sociedade possui uma grande necessidade a todo tempo nomear e rotular os sujeitos, esta teoria tem um duplo efeito: ela completa “[...] os estudos gays e lésbicos com uma perspectiva feminista que lida com o conceito de gênero, e também sofistica o feminismo” (p.31).
E os estudos gays em sua maioria priorizam um padrão de gay que a sociedade considera como “normal” que adotam uma postura masculina, geralmente da classe média, branco e que a sociedade considera como padrão, deixando a margem os excluídos que rompem com as normas de gênero.
Nota-se que a escola funciona como um local onde aprendemos as formas de ser e agir esperadas pela sociedade, e esta vê o desejo e a sexualidade como uma ameaça constante para isso muitos passam a adotar padrões heterossexuais para não serem vítimas de preconceitos.
Deste modo a teoria queer busca estudar estas pessoas excluídas socialmente, que sofrem violências e insultos e que a sociedade incentiva o conformismo e a repressão destas pessoas lidarem com o desejo de forma “comportada”.
Essas violências são vistas como uma “expressão do heterossexismo da forma como somos socializados dentro de um regime de “terrorismo cultural” (p.33). Esse nome busca ressaltar a maneira como socialmente os gays adotam este heterossexismo, fazendo do medo da violência a forma mais eficiente de imposição da heterossexualidade compulsória.
REFERÊNCIA
MISKOLCI, Richard. Origens históricas da Teoria Queer. In: Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autêntica: UFOP, 2012.
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