domingo, 2 de junho de 2013

Síntese do texto "Gênero, sexualidade e poder"

por: Alice Rosa dos Santos e Aline de Assis Augusto

No segundo capítulo do livro “Gênero, sexualidade e educação – Uma perspectiva pós-estruturalista” a autora Guacira Lopes Louro ressalta o ‘poder’ como foco central, relacionando-o com a figura dominante do homem em relação à mulher, que eram destacados nos estudos feministas, e que hoje são problematizados, uma vez que “o esquema polarizado não dá conta da complexidade social” (p. 38).
Para aprofundar as relações de poder, a autora menciona Foucault como grande colaborador dessa área, pois seus estudos dão margem para desfazer o convencional e enxergar o poder sendo exercido, estrategicamente, por toda sociedade como “uma rede de relações sempre em atividade” (p.39). Outro ponto levantado, ainda na concepção do filósofo, é a visão do poder, também, como produtivo e positivo, uma vez que a constituição do gênero não se dá apenas por repressão ou censura.
Louro (1997) se apropria do conceito foucaultiano de “biopoder” (poder de controlar as populações, as espécies) para pensar nas práticas que foram historicamente criadas para o controle de homens e mulheres, as quais direcionam os gêneros a ocupações diferentes, além de tratar do poder exercido sobre os corpos dos sujeitos através de estratégias como o controle da taxa de natalidade, condições de saúde, entre outras.
Após esse panorama a autora aborda as “Diferenças e desigualdades: afinal quem é diferente?”, destacando que o gênero e a sexualidade serão vistos de maneira privilegiada, buscando observar como a diferença acontece nesses terrenos. Ao iniciar a discussão apoia-se na frase “E viva a diferença!”, que é constantemente utilizada nos discursos a respeito das diferenças entre homens e mulheres. A autora mostra que a frase é problemática, podendo implicar em uma conformação ao status das relações entre os gêneros. Além disso, aprofunda na questão da diferença e, direcionando sua crítica para o campo do feminismo, aponta que “nos discursos atuais, o apelo à diferença está se tornando quase um lugar comum (o que já nos leva a sermos cautelosas/os, desconfiando de seu uso irrestrito)”. (p. 44)
Louro (1997) destaca que a diferença entre os gêneros é marcada por várias distinções: biológicas, físicas, psíquicas, etc. O movimento feminista se ocupou das discussões sobre as diferenças e as suas consequências, porém, as relações de poder se constroem e se fixam no interior dessas discussões e o que acontece, portanto, são as desigualdades. Sobre elas, Guacira Louro (1997) destaca o que diz Joan Scott, autora que aponta para “o equívoco de se conceber o par 'diferença-igualdade' como um 'dilema', ao qual as feministas teriam necessariamente de se entregar”. (p. 46)
A autora mostra que as concepções de gênero estão ligadas às relações de poder existentes na sociedade e que todos que se afastam da masculinidade ou feminilidade hegemônica impostas são considerados como sendo diferentes. Ela chama a atenção ainda para o fato de que na sociedade existem diversas culturas, sexualidades, etnias, classes sociais, histórias e que os sujeitos transitam e se posicionam nos diferentes marcadores sociais, possuindo múltiplas identidades, em consequência disso, as nossas identidades assumem significados específicos em contextos determinados. A pesquisadora aponta ainda que “serão sempre as condições históricas específicas que nos permitirão compreender melhor, em cada sociedade específica, as relações de poder que estão implicadas nos processos de submetimento dos sujeitos”. (p. 53)

Referência: LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e poder. In: __________. Gênero, sexualidade e educação: Uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.

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