por: Alice Rosa dos Santos e Aline de Assis Augusto
No segundo
capítulo do livro “Gênero, sexualidade e educação – Uma perspectiva
pós-estruturalista” a autora Guacira Lopes Louro ressalta o ‘poder’ como foco
central, relacionando-o com a figura dominante do homem em relação à mulher,
que eram destacados nos estudos feministas, e que hoje são problematizados, uma
vez que “o esquema polarizado não dá conta da complexidade social” (p. 38).
Para
aprofundar as relações de poder, a autora menciona Foucault como grande
colaborador dessa área, pois seus estudos dão margem para desfazer o
convencional e enxergar o poder sendo exercido, estrategicamente, por toda
sociedade como “uma rede de relações sempre em atividade” (p.39). Outro ponto
levantado, ainda na concepção do filósofo, é a visão do poder, também, como
produtivo e positivo, uma vez que a constituição do gênero não se dá apenas por
repressão ou censura.
Louro
(1997) se apropria do conceito foucaultiano de “biopoder” (poder de controlar
as populações, as espécies) para pensar nas práticas que foram historicamente
criadas para o controle de homens e mulheres, as quais direcionam os gêneros a
ocupações diferentes, além de tratar do poder exercido sobre os corpos dos
sujeitos através de estratégias como o controle da taxa de natalidade,
condições de saúde, entre outras.
Após esse panorama a autora
aborda as “Diferenças e desigualdades: afinal quem é diferente?”, destacando
que o gênero e a sexualidade serão vistos de maneira privilegiada, buscando
observar como a diferença acontece nesses terrenos. Ao iniciar a discussão
apoia-se na frase “E viva a diferença!”, que é constantemente utilizada nos
discursos a respeito das diferenças entre homens e mulheres. A autora mostra
que a frase é problemática, podendo implicar em uma conformação ao status das
relações entre os gêneros. Além disso, aprofunda na questão da diferença e,
direcionando sua crítica para o campo do feminismo, aponta que “nos discursos
atuais, o apelo à diferença está se tornando quase um lugar comum (o que já nos
leva a sermos cautelosas/os, desconfiando de seu uso irrestrito)”. (p. 44)
Louro (1997) destaca que a
diferença entre os gêneros é marcada por várias distinções: biológicas,
físicas, psíquicas, etc. O movimento feminista se ocupou das discussões sobre
as diferenças e as suas consequências, porém, as relações de poder se constroem
e se fixam no interior dessas discussões e o que acontece, portanto, são as
desigualdades. Sobre elas, Guacira Louro (1997) destaca o que diz Joan Scott,
autora que aponta para “o equívoco de se conceber o par 'diferença-igualdade'
como um 'dilema', ao qual as feministas teriam necessariamente de se entregar”.
(p. 46)
A autora mostra que as concepções
de gênero estão ligadas às relações de poder existentes na sociedade e que
todos que se afastam da masculinidade ou feminilidade hegemônica impostas são
considerados como sendo diferentes. Ela chama a atenção ainda para o fato de
que na sociedade existem diversas culturas, sexualidades, etnias, classes
sociais, histórias e que os sujeitos transitam e se posicionam nos diferentes
marcadores sociais, possuindo múltiplas identidades, em consequência disso, as
nossas identidades assumem significados específicos em contextos determinados.
A pesquisadora aponta ainda que “serão sempre as condições históricas
específicas que nos permitirão compreender melhor, em cada sociedade
específica, as relações de poder que estão implicadas nos processos de
submetimento dos sujeitos”. (p. 53)
Referência: LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e
poder. In: __________. Gênero, sexualidade e educação: Uma perspectiva
pós-estruturalista. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
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